
PUC – PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
CURSO DE TEOLOGIA
DISCIPLINA DE APOCALÍPTICA DO ANTIGO TESTAMENTO
ACADÊMICO: JOSÉ FÁBIO REIS DE OLIVEIRA
CURSO DE TEOLOGIA
DISCIPLINA DE APOCALÍPTICA DO ANTIGO TESTAMENTO
ACADÊMICO: JOSÉ FÁBIO REIS DE OLIVEIRA
LIVRO DE DANIEL
Tradução da Perícope – Dn 7,1-28
¹No primeiro ano de Baltazar, rei da Babilônia, Daniel, em seu leito, teve um sonho e visões que perturbaram seus pensamentos. Depois anotou o sonho por escrito, contando a seguinte narração:
²Disse Daniel:
Estando eu observando a minha visão noturna, olhei e vi do céu quatro ventos que sacudiam o enorme mar, ³como também quatro feras monstruosas diferentes uma das outras que subiam do mar.
4A primeira parecia um leão e tinha asas de águia. Quando a observava, foram tiradas suas asas; foi erguida e colocada de pé sobre suas patas semelhantes a um ser humano, tendo recebido um coração humano.
5A segunda já foi diferente; parecia um urso, em pé abre as portas e tinha três costelas na boca, entre os dentes. E a esta falavam:
“Vai levanta e devora bastante carne”.
6A terceira parecia um leopardo; tinha sobre as costas quatro asas de ave, possuía ainda quatro cabeças e a essa ainda foi lhe dado o poder.
7Depois de ter observado essas visões noturnas, vi a quarta fera. Era terrível, espantosa e extremamente forte: tinha grandes dentes de ferro, comia, triturava e calcava aos pés o que restava. Era desigual as outras três feras que eu tinha visto; essa tinha dez chifres.
8Enquanto olhava aqueles chifres, observei que tinha entre eles outro chifre, mas esse era pequeno, sendo que foram tirados três dos primeiros chifres pela raiz, diante do pequeno que tinha olhos humanos e uma boca que falava palavras arrogantes.
9 Continuei observando e vi alguns tronos sendo preparados e em um dos tronos sentou-se um Ancião, que tinha vestes brancas como a neve, e os cabelos da cabeça eram alvos como a lã. O trono que pertencia ao ancião tinha chamas de fogo, com círculos de fogo ardente.
10 Corria um rio de fogo, que diante dele ia irrompendo. Serviam-no mil e milhares, como também miríades de miríades o assistiam.
O Tribunal tomou assento, sendo nele abertos os livros.
11 Continuei observando, quando vi a fera sendo morta, em meio o causa do barulho das palavras arrogantes que falara aquele chifre. E o cadáver da fera foi destruído e jogado para queimar no fogo.
12 Com relação às outras feras, o poder lhes for retirado, porém receberam, por data e tempo determinados, um maior prolongamento de vida.
13 Continuei observando em minhas visões noturnas, quando vi um como Filho de Homem, vindo sobre as nuvens do céu. Imediatamente aproximou-se do Ancião e foi-lhe apresentado.
14 Foram-lhe dados o poder, a honra e o reino, além de o servirem os povos, as nações e as línguas. E jamais passará seu império, porque ele é eterno e o seu reino nunca será arruinado.
15 Ansioso ainda estava o meu espírito e completamente perturbado com as visões na minha cabeça, quando eu, Daniel, 16 cheguei próximo a um dos que estavam ali presentes e pedi que falasse a verdade com relação a toda situação. Ele disse-me e assim me fez conhecer a interpretação de todas essas coisas da seguinte maneira:
17 As quatros grandes feras são quatros grandes reis que se ergueram da terra.
18 Os que receberão o reino são os santos do Altíssimo e a eles cabem o dever de conservar o reino para sempre, de eternidade em eternidade.
19 Daniel, ainda procurou saber a verdade a respeito da quarta fera. Ela tinha diferença com relação às outras; era terrível, tinha dentes de ferro e garras de bronze, comia e triturava e depois calcava aos pés o que restava.
20Também procurou saber a respeito dos dez chifres que a fera possuía em sua cabeça e do outro chifre que apareceu e dos três primeiros que caíram por causa dele. Esse chifre possuía olhos e boca que dizia palavras arrogantes e, além de tudo, tinha aparência majestosa mais que os outros chifres.
21 Quando eu estava observando esse chifre, ele promovia guerra aos santos e prevalecia sobre eles, 22 chegando o momento em que viera o ancião e fez o julgamento em benefício dos santos do Altíssimo, ao ponto de os santos entrarem na posse do reino.
23 E continuou a dizer:
“A quarta fera será o quarto reino da terra, diferente dos outros reinos. Ela devorará a terra completamente e vai calcá-la a seus pés e a esmagará. 24 Com relação aos dez chifres: são dez reis que aparecerão e outro que se erguerá depois deles; este não será igual aos primeiros e combaterá três reis.
25 Falará insultos contra o Altíssimo e colocará à prova os santos do Altíssimo; tentando modificar os tempos e a Lei, e os santos vão ser entregues em suas mãos por um determinado tempo, tempos e metade de um tempo.
26 Mas o tribunal dará audiência e o domínio lhe será tirado, destruído e reduzido a nada até o fim.
27 E serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo o reino, o poder e as grandezas dos reinos sob todos os céus. Até porque o seu reino é eterno e os poderes lhe servirão e prestarão obediência.”
28 Assim termina a narrativa. Eu, Daniel, fiquei bastante perturbado, em meus pensamentos a ponto do meu rosto mudar de cor. Tudo isso guardei em meu coração.
Comentário do livro de Daniel
O livro de Daniel de acordo com o cânon da Bíblia grega está fixado nos livros proféticos, entre os livros de Ezequiel e Oséias, embora não tenha nenhuma representação profética. Ele foi escrito no séc. II a. C. e está dividido em três partes: A primeira (1—6) fala de amplos relatos, situados na corte de diversos reis pagãos. É uma narrativa didática. A segunda parte (7—12) mostra as cinco visões apocalípticas. A terceira parte (13¬—14) é um acréscimo posterior e a história dos sacerdotes de Bel na Babilônia e a história de Suzana, que foi injustamente acusada.
Com relação aos textos e versões, o livro de Daniel está escrito em três línguas: o hebraico (Dn 1.8.12); no aramaico (Dn 2—7) e o grego (Dn 3,24-97 e 13—14). O capítulo 7 é a perícope escolhida para este trabalho estão escritas em aramaico.
O personagem principal da maioria dos relatos e das visões contidas nesse livro é Daniel. Isso não significa que ele seja o autor; ao contrário, o livro de Daniel é fruto de vários autores de diversas épocas.
O livro de Daniel é todo apocalíptico, isto não quer dizer que o livro esteja transmitindo desespero, medo, mas sim esperança. Quem escreveu esse livro sabia o que estava escrevendo, conhecia a cultura, a tradição e os escritos anteriores de sua gente. O livro de Dn é como um quebra-cabeças. Cada peça separadamente não diz nada. O sentido vem de toda a história que o povo viveu e o autor registrou. Outro fato importante está no capítulo 7, em que o autor usa de um recurso literário interessante para falar da mensagem que queria passar, justamente nessa perícope que narra à história de Daniel e as visões. Essa perícope se encontra numa narrativa apocalíptica, porque utilizasse de símbolos para dar sentido a história, ou seja, conta-se uma história fazendo denuncia genérica e velada. Falando do reinado e chamando a atenção para um sentido de esperança na certeza da ação de Deus na história.
Tradução da Perícope – Dn 7,1-28
¹No primeiro ano de Baltazar, rei da Babilônia, Daniel, em seu leito, teve um sonho e visões que perturbaram seus pensamentos. Depois anotou o sonho por escrito, contando a seguinte narração:
²Disse Daniel:
Estando eu observando a minha visão noturna, olhei e vi do céu quatro ventos que sacudiam o enorme mar, ³como também quatro feras monstruosas diferentes uma das outras que subiam do mar.
4A primeira parecia um leão e tinha asas de águia. Quando a observava, foram tiradas suas asas; foi erguida e colocada de pé sobre suas patas semelhantes a um ser humano, tendo recebido um coração humano.
5A segunda já foi diferente; parecia um urso, em pé abre as portas e tinha três costelas na boca, entre os dentes. E a esta falavam:
“Vai levanta e devora bastante carne”.
6A terceira parecia um leopardo; tinha sobre as costas quatro asas de ave, possuía ainda quatro cabeças e a essa ainda foi lhe dado o poder.
7Depois de ter observado essas visões noturnas, vi a quarta fera. Era terrível, espantosa e extremamente forte: tinha grandes dentes de ferro, comia, triturava e calcava aos pés o que restava. Era desigual as outras três feras que eu tinha visto; essa tinha dez chifres.
8Enquanto olhava aqueles chifres, observei que tinha entre eles outro chifre, mas esse era pequeno, sendo que foram tirados três dos primeiros chifres pela raiz, diante do pequeno que tinha olhos humanos e uma boca que falava palavras arrogantes.
9 Continuei observando e vi alguns tronos sendo preparados e em um dos tronos sentou-se um Ancião, que tinha vestes brancas como a neve, e os cabelos da cabeça eram alvos como a lã. O trono que pertencia ao ancião tinha chamas de fogo, com círculos de fogo ardente.
10 Corria um rio de fogo, que diante dele ia irrompendo. Serviam-no mil e milhares, como também miríades de miríades o assistiam.
O Tribunal tomou assento, sendo nele abertos os livros.
11 Continuei observando, quando vi a fera sendo morta, em meio o causa do barulho das palavras arrogantes que falara aquele chifre. E o cadáver da fera foi destruído e jogado para queimar no fogo.
12 Com relação às outras feras, o poder lhes for retirado, porém receberam, por data e tempo determinados, um maior prolongamento de vida.
13 Continuei observando em minhas visões noturnas, quando vi um como Filho de Homem, vindo sobre as nuvens do céu. Imediatamente aproximou-se do Ancião e foi-lhe apresentado.
14 Foram-lhe dados o poder, a honra e o reino, além de o servirem os povos, as nações e as línguas. E jamais passará seu império, porque ele é eterno e o seu reino nunca será arruinado.
15 Ansioso ainda estava o meu espírito e completamente perturbado com as visões na minha cabeça, quando eu, Daniel, 16 cheguei próximo a um dos que estavam ali presentes e pedi que falasse a verdade com relação a toda situação. Ele disse-me e assim me fez conhecer a interpretação de todas essas coisas da seguinte maneira:
17 As quatros grandes feras são quatros grandes reis que se ergueram da terra.
18 Os que receberão o reino são os santos do Altíssimo e a eles cabem o dever de conservar o reino para sempre, de eternidade em eternidade.
19 Daniel, ainda procurou saber a verdade a respeito da quarta fera. Ela tinha diferença com relação às outras; era terrível, tinha dentes de ferro e garras de bronze, comia e triturava e depois calcava aos pés o que restava.
20Também procurou saber a respeito dos dez chifres que a fera possuía em sua cabeça e do outro chifre que apareceu e dos três primeiros que caíram por causa dele. Esse chifre possuía olhos e boca que dizia palavras arrogantes e, além de tudo, tinha aparência majestosa mais que os outros chifres.
21 Quando eu estava observando esse chifre, ele promovia guerra aos santos e prevalecia sobre eles, 22 chegando o momento em que viera o ancião e fez o julgamento em benefício dos santos do Altíssimo, ao ponto de os santos entrarem na posse do reino.
23 E continuou a dizer:
“A quarta fera será o quarto reino da terra, diferente dos outros reinos. Ela devorará a terra completamente e vai calcá-la a seus pés e a esmagará. 24 Com relação aos dez chifres: são dez reis que aparecerão e outro que se erguerá depois deles; este não será igual aos primeiros e combaterá três reis.
25 Falará insultos contra o Altíssimo e colocará à prova os santos do Altíssimo; tentando modificar os tempos e a Lei, e os santos vão ser entregues em suas mãos por um determinado tempo, tempos e metade de um tempo.
26 Mas o tribunal dará audiência e o domínio lhe será tirado, destruído e reduzido a nada até o fim.
27 E serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo o reino, o poder e as grandezas dos reinos sob todos os céus. Até porque o seu reino é eterno e os poderes lhe servirão e prestarão obediência.”
28 Assim termina a narrativa. Eu, Daniel, fiquei bastante perturbado, em meus pensamentos a ponto do meu rosto mudar de cor. Tudo isso guardei em meu coração.
Comentário do livro de Daniel
O livro de Daniel de acordo com o cânon da Bíblia grega está fixado nos livros proféticos, entre os livros de Ezequiel e Oséias, embora não tenha nenhuma representação profética. Ele foi escrito no séc. II a. C. e está dividido em três partes: A primeira (1—6) fala de amplos relatos, situados na corte de diversos reis pagãos. É uma narrativa didática. A segunda parte (7—12) mostra as cinco visões apocalípticas. A terceira parte (13¬—14) é um acréscimo posterior e a história dos sacerdotes de Bel na Babilônia e a história de Suzana, que foi injustamente acusada.
Com relação aos textos e versões, o livro de Daniel está escrito em três línguas: o hebraico (Dn 1.8.12); no aramaico (Dn 2—7) e o grego (Dn 3,24-97 e 13—14). O capítulo 7 é a perícope escolhida para este trabalho estão escritas em aramaico.
O personagem principal da maioria dos relatos e das visões contidas nesse livro é Daniel. Isso não significa que ele seja o autor; ao contrário, o livro de Daniel é fruto de vários autores de diversas épocas.
O livro de Daniel é todo apocalíptico, isto não quer dizer que o livro esteja transmitindo desespero, medo, mas sim esperança. Quem escreveu esse livro sabia o que estava escrevendo, conhecia a cultura, a tradição e os escritos anteriores de sua gente. O livro de Dn é como um quebra-cabeças. Cada peça separadamente não diz nada. O sentido vem de toda a história que o povo viveu e o autor registrou. Outro fato importante está no capítulo 7, em que o autor usa de um recurso literário interessante para falar da mensagem que queria passar, justamente nessa perícope que narra à história de Daniel e as visões. Essa perícope se encontra numa narrativa apocalíptica, porque utilizasse de símbolos para dar sentido a história, ou seja, conta-se uma história fazendo denuncia genérica e velada. Falando do reinado e chamando a atenção para um sentido de esperança na certeza da ação de Deus na história.
Delimitação da Perícope
A perícope escolhida, Dn 7,1-28, se inicia e termina nestes versículos por causa da coerência da história que se inicia com Daniel. É uma nova perícope porque começa uma nova história, mudança de tempo, rei, personagem, Começando assim a história das visões no reinado de Baltazar, enquanto, no capítulo anterior, o texto falava da história de Daniel na cova dos leões. Portanto, o espaço e o tempo são diferentes, além de ser novo tema.
No versículo 18 está o meio da perícope onde começa a interpretação das visões, dando desenvolvimento e continuidade à perícope, mostrando o contexto literário das visões de forma lógica e ampla, dando um percurso à história com início, meio e fim. E além de tudo, as frases dão uma conexão a toda perícope, como podemos observar na análise lingüística.
No fim da perícope, o próprio Daniel termina com a sua narrativa.
Análise Lingüística
¹ No primeiro ano de Baltazar, rei da Babilônia, Daniel, em seu leito, teve um sonho e visões que perturbaram seus pensamentos. Depois anotou o sonho por escrito, contando a seguinte narração:
Neste versículo inicia a história das visões de Daniel, observa-se que Daniel sonhou, em seguida, começou a contar o sonho, ou melhor, o autor não dá importância à rapidez do sonhar e logo contar a narração do sonho.
² Disse Daniel:
Estando eu observando a minha visão noturna, olhei e vi do céu quatro ventos que sacudiam o enorme mar.
A presença de ventos e mar quer dizer que Deus vai agir. São símbolos da Teofania Acalmando a ventania e o mar, o próprio Deus agindo.
³ Como também quatro feras monstruosas diferentes uma das outras que subia do mar.
As feras que são relatadas neste versículo são animais mitológicos.
4 A primeira tinha asas de águia parecendo um leão. Quando a observava foram tiradas suas asas, foi erguida e colocada de pé sobre suas patas semelhantes a um ser humano, tendo recebido um coração humano.
A primeira fera, um leão, se refere ao perigoso império Babilônico, que cresce e expande seu reinado. Se colocando de pé sobre suas patas quer dizer que o rei perdeu as forças, o poder, e se tornou como qualquer outro humano.
5 A segunda já foi diferente, parecia um urso, erguido um lado e tinha três costelas na boca, entre os dentes. E a esta falavam: “Vai levanta e devora bastante carne”.
A segunda fera, um urso, devorava a todos, representa os medos; eles que sucederam aos babilônios e foram menos perigosos.
6A terceira parecia um leopardo; tinha sobre as costas quatro asas de ave, possuía ainda quatro cabeças e a essa ainda foi lhe dado o poder.
A terceira fera, o leopardo, é mais perigosa que a anterior, tem asas e sai engolindo tudo. Representa o reino dos persas. Quando fala das cabeças são os quatro canto do mundo. Esse poder que lhe foi dado não veio de outros, a não ser do próprio Deus.
7 Depois de ter observado essas visões noturnas, vi a quarta fera. Era terrível, espantosa, e extremamente forte: tinha grandes dentes de ferro, comia, triturava e calcava aos pés o que restava. Era desigual as outras três feras que eu tinha visto, essa tinha dez chifres. 8Enquanto olhava aqueles chifres, observei que tinha entre ele, outro chifre, mas esse era pequeno, sendo que foram tirados três dos primeiros chifres pela raiz, diante do pequeno que tinha olhos humanos e uma boca que falava palavras arrogantes.
A quarta fera é a pior de todas está muito bem armada. Representa o reino de Alexandre, o grande. Ela era considerada diferente porque possuía mais poder que as outras.
Os chifres representam a família dos selêucidas, dez gerações. O chifre pequeno representa Antíoco IV. Os olhos humanos é para vigiar os judeus como Antíoco IV fazia. A boca para dizer arrogância foi o que fez Antíoco IV quando colocou o povo para falar coisas arrogantes, colocando o povo para negar a fé.
9Continuei observando e vi alguns tronos sendo preparados e em um dos tronos sentou-se um Ancião, que tinha vestes brancas como a neve; e os cabelos da cabeça, alvos como a lã. O trono que pertencia ao ancião tinha chamas de fogo, com círculos de fogo ardente.
10Corria um rio de fogo, que diante dele ia irrompendo. Serviam-se mil e milhares, como também miríades de miríades o assistiam.
O Tribunal tomou assento, sendo nele abertos os livros selados.
O trono significa um rei especial, o rei que tem a função de juiz, vestido de branco, uma figura mitológica. O ancião a que se refere não é uma pessoa velha, mas uma pessoa sábia.
O fogo representa o fogo divino que destrói, permanecendo somente a sabedoria. A roda de fogo é a presença e a glória de Deus que acompanham o povo. Com os livros selados não se entende nada; eles precisam ser abertos, mas quem vai abri-los são os juízes, aqueles que julgam.
11 Continuei observando, quando vi a fera sendo morta, por causa do barulho das palavras arrogantes que falara aquele chifre. E o cadáver da fera foi destruído e jogado para queimar no fogo.
12 Com relação às outras feras, também as retiraram o poder, porém receberam-se, por data e tempo determinados, um maior prolongamento de vida.
Observa-se que neste versículo mostra um prolongamento da vida, pois é próprio do apocalipse dar um tempo.
13 Continuei observando em minhas visões noturnas, quando vi um como Filho de Homem, vindo sobre as nuvens do céu. Imediatamente chegou-se até o Ancião e foi-lhe apresentado.
O povo pensava que ele vinha da nuvens do céu; o filho do homem é o governo de Deus; não representa uma pessoa como no Novo Testamento, ou seja, o Messias como figura humana.
14 Foram-lhe dados o poder, a honra e o reino, além de o servirem: os povos, as nações e as línguas. E jamais passará seu império, até porque, ele, o seu império é eterno e o seu reino nunca será arruinado.
Quando fala de poder, a honra, a glória quer dizer que eles vêm com tudo para fazer o reino acontecer.
15 Ansioso ainda estava o meu espírito e completamente perturbado com as visões na minha cabeça, quando eu, Daniel,
16 cheguei próximo a um dos que estavam ali presentes e pedi que falasse a verdade com relação a toda situação. Ele disse-me e assim me fez conhecer a interpretação de todas essas coisas da seguinte maneira:
No apocalipse sempre tem um para explicar, para desvelar, seja um anjo ou outras figuras.
17 As quatros grandes feras são quatros grandes reis que se ergueram da terra.
18Os que receberão o reino são os santos do altíssimo e a eles cabem o dever de conservar o reino para sempre, de eternidade em eternidade.
19 Daniel, ainda procurou saber a verdade a respeito da quarta fera. Ela tinha diferença com relação às outras; era terrível, tinha dentes de ferro e garras de bronze, comia e triturava e depois calcava aos pés o que restava.
A partir do versículo 17, começam as explicações das visões. Nesses versículos se fala mais detalhado do quarto animal.
20Também procurou saber a respeito dos dez chifres que a fera possuía em sua cabeça e o outro chifre que apareceu e os três primeiros caíram por causa dele. Esse chifre possuía olhos e boca que dizia palavras arrogantes, e além de tudo tinha aparência majestosa mais que os outros chifres.
21 Quando eu estava observando esse chifre, ele promovia guerra aos santos e prevalecia sobre eles,
22 chegando o momento em que viera o ancião e fez o julgamento em benefício dos santos do Altíssimo. Ao ponto de os santos entrarem na posse do reino.
23 E continuou a dizer:
“A quarta fera será o quarto reino da terra, diferente dos outros reinos. Ela devorará a terra completamente e vai calcar a seus pés e a esmagará.
24 Com relação aos dez chifres: são dez reis que aparecerão e outro que se erguerá depois deles; este não será igual aos primeiros e combaterá três reis.
O quarto reino tem dez chifres que representam os dez reis da dinastia dos selêucidas.
25 Falará insultos contra o Altíssimo e colocará à prova os santos do Altíssimo; tentando modificar os tempos e a Lei, e os santos vão ser entregues em suas mãos por um determinado tempo, tempos e metade de um tempo.
26 Mas o tribunal dará audiência e o domínio lhe será tirado, destruído e reduzido a nada até o fim.
27 E serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo o reino, o poder e as grandezas dos reinos sob todos os céus. Até porque o seu reino é eterno e os poderes lhe servirão e prestarão obediência.”
Do versículo 23 ao 27 continua a interpretação. Quando se fala do tempo foi quando Antíoco IV quis mudar o calendário. Mas não deu certo. O povo já tinha seu calendário oficial. Também o tempo equivale a um ano, ou seja, três anos e meio ou três tempos e meio.
28 Assim termina a narrativa. Eu, Daniel, fiquei bastante perturbado, em meus pensamentos ao ponto do meu rosto mudar de cor. Tudo isso guardei em meu coração.
No versículo 28 termina a narrativa, com Daniel falando dos seus sentimentos a respeito das visões.
Tudo neste texto acaba bem: os grandes são humilhados e os pequenos exaltados, isto é sinal de esperança. Daniel quer falar da realidade da história dos impérios tudo acaba! Só Deus fica.
Análise Pragmática
A intenção primeira do autor do livro de Daniel é transmitir uma mensagem de esperança e força. Até porque ele, o autor, apenas registrou situações e tempos de conflitos, escrevendo de forma velada, usando códigos e símbolos que registram as experiências e os sentimentos da sua comunidade. O objetivo do autor é abrir os olhos para a realidade na certeza de que, na força da fé de sua comunidade Deus dirige a história, mesmo que pareça contrário. Olhando para o passado, o autor interpreta o presente e acredita que o futuro vai ser diferente, pois Deus vai agir.
Portanto, a intenção do autor é transmitir esperança para o povo que está vivenciando uma história de sofrimento e perseguição.
Hermenêutica
O Livro de Daniel quer transmitir uma mensagem de esperança do Deus da história, tendo a confiança e sendo fiel a Deus tende-se a concepção de se identificar com os que sofrem por sua causa, é tanto que Dn 7 fala dos “Santos do Altíssimo” e do “povo dos Santos do Altíssimo”.
Quando o capítulo 7 nos fala das visões, não é que Daniel tivesse uma visão propriamente dita como está escrita. Essas visões são uma maneira de expressar o que iria acontecer, não que ele tenha visto e ouvido diretamente a visão é de tanto que ele precisa de explicação para saber interpretar a visão. As visões são gêneros literários mostrando a expressão de uma experiência. É justamente neste capitulo que Daniel mostra que os humildes serão exaltados e os poderosos caíram por terra.
Assim, diante das perseguições e do sofrimento se deve ter a fidelidade a Deus. Tendo a esperança de ser o povo do santo do Altíssimo. E a exemplo do povo perseguido, busquemos no nosso dia-a-dia ser fieis a Deus sem perder a esperança naquele que é o Senhor da história que quer a conversão de seus filhos, sem jamais prender a esperança. Não que o livro de Daniel venha nos passar uma mensagem de retribuição onde eu dou a Deus e quero em troca, ao contrário, o livro nos mostra que mesmo com a experiência sofrida da comunidade devemos ser confiantes, porque sabemos que Deus é Senhor da história e que vale a pena perseverar nos caminhos da verdade que o Senhor nos mostra a partir das Sagradas Escrituras.
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